sábado, 24 de agosto de 2013

VATICANO LANÇA SELOS DEDICADOS A FRANCISCO


Recentemente fiz duras criticas ao Correio Brasileiro, pelo selo postal que fez para homenagear o papa Francisco em visita ao nosso país. Houve quem não entendesse e até me deu um “puxão” de orelhas. Perdoei porque entendi que as criticas partiram de pessoas que viram o lado religioso, e não filatélico. Portanto, outra visão sobre o que eu falei.

Acabo de receber uma a quadra, emitida pelo Escritório Filatélico e Numismático do Estado da Cidade do Vaticano, em homenagem a sua Santidade. São 4 belíssimos selos, em fotografia, mostrando o sumo pontífice com seu já contagiante sorriso, acenado as multidões, e em prece. Já a venda, as peças têm o valor facial variando de 70 centavos e 2,5 euros.

Aproveito a oportunidade e publico uma trova, do poeta norte-rio-grandense Modesto Alfredo - em homenagem ao novo papa - que diz:

“Jesus sempre tão profundo,
Deu a Igreja um obelisco.
Ao presentear o mundo
Com o novo papa Francisco”.

(fcb)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

QUANDO OS SELOS ENGANAM O COLECINADOR


É antiga a arte de enganar. Vejo aqui no dicionário que enganar é induzir ao erro, iludir, burlar, disfarçar, engano, etc.

Uma das frases memoráveis do meu colega Mussolini Fernandes era: “Nada mais diferente do que dois selos iguais”. Mas, só um atento colecionador de selos poderia decifrar esta máxima do decano da filatelia norte-rio-grandense. 

Em 18 de junho de 1953, o Egito acabara de derrubar o monarca. Em sua primeira emissão como República, uma serie com 19 selos foram lançada – mostrando as potencialidades do seu povo em um novo regime, desde o lavrador, passando por sua história de faraós e princesas, religião e um soldado representando a segurança da nação. Pois bem, a imagem do soldado é impressa em dois selos exatamente iguais. E aqui fiz questão de não aumentar a fotografia deles para que o leitor o veja como eu vejo em minha coleção de selos egípcios. Repare que eles são iguais... Iguais?

Repare mais atentamente... Viu que são iguais? O mesmo valor de 10 centavos de Piastres. Não há diferença entre ambos. Apenas uma pequena variação na cor, mas isso é na hora de imprimir. Menos tinta em um. Mais tinta em outro... É normal. Mas, o certo que eles são realmente diferentes...

Dê mais uma olhada, atenta olhada, e verá que bem abaixo existe uma inscrição em inglês (e árabe). Num deles diz: “Defence”. No outros diz: “Defense”. Viu só?
“Nada mais diferente do que dois selos iguais”. Frase de José Mussolini Fernandes. Genial!

sábado, 3 de agosto de 2013

DE FILATELIA E DE CARLOS ZENS


Eu sempre quis escrever sobre Carlos Zens, mas nunca encontrava um “gancho” para começar. Hoje eu encontrei...

Ontem (02/08) aconteceu a festa dos Correios, comemorando seus 350 anos de existência e os 170 do lançamento do Primeiro Selo Brasileiro – o Olho de Boi. Fato ocorrido em 1º de agosto de 1843. O Brasil foi o segundo país (o primeiro nas Américas) a emitir Selo Postal. A Diretoria dos Correios no RN escolheu a ocasião para homenagear um pequeno e fiel grupo que impunham, bravamente, a bandeira da filatelia em nossa cidade. É uma luta inglória, diante da internet e jogos eletrônicos em geral. O colorido das telas é um encanto para iludir as novas gerações... Mas também reconheço que é preciso ter um dom, todo especial, para ler “história” em um simples pedacinho de papel... Aproveito a ocasião para dizer que não conheci um filatelista que tenha deixado herdeiro. Geralmente quem fica crer que vai ficar rico, mas, o que ganha mesmo é uma grande decepção. Geralmente as casas filatélicas, quando muito, pagam 30% do valor real. Em meu testamento vou recomendar a minha filha doar toda a minha coleção para uma criança... 

Entre os agraciados com o Bloco Comemorativo a data – e que obliteraram as peças - estava os filatelistas Fcésar Barbosa, Bob Furtado, Cleudivan Jânio, José Cirilo. Este último me presenteou com dois CD Ron do Scott 2013. Uma gentileza inesquecível por parte do meu mais recente colega – eu havia, outro dia, comentado com ele que meu defasadíssimo catálogo Scott era uma Edição de 1991. E impresso em quatro enormes e pesados volumes. O homem ficou horrorizado com a minha tamanha “pobreza” das atualizações das emissões nos últimos 21 anos, se comoveu com minha “desgraça” e, com seu sorriso melhor, me deu os dois discos contendo os seis volumes atuais. E você, meu caro leitor, nem imagina o tamanho da minha ansiedade, para chegar em casa e abrir o arquivo. Maravilha...

Dentro da festividade comemorativa ouve um Festival de Música de Funcionários dos Correios. O corpo de jurados ficou composto do instrumentista, compositor e cantor Carlos Zens, a curadora do Solar Bela Vista Dodora Guedes, o jornalista Diógenes Dantas, o compositor e cantor Fernando Luiz (pai da top model Fernanda Tavares) e da cantora e apresentadora Lucinha Lira. A música vencedora, que vai representar o Estado na final em Maceió, é de um funcionário da cidade de Pureza. O rapaz chegou vestido de cangaceiro em rebentou com seu “Chinelo de sola com catinga de chulé”. Pessoalmente eu fiquei muito feliz. Até parecia que a música era minha. É porque, como bem disse o filosofo Chico Potengy: “Natal é a cidade mais desnordestinada do Nordeste”. Nossa cidade não é de cultuar o que é originário seu. Tudo o que “vinga” em Natal tem de ser de fora. De muito longe... A TV é cheia de forasteiros “chiado” feito tampa de chaleira quando a água está fervendo, as FM é... Nos shopping só é gerente se for de fora. Em Natal, a Capital do riquíssimo Estado do Rio Grande do Norte (e sem Sorte) não existe uma moça com competência para administrar uma loja de shopping. As instituições federais, só forasteiros...: Exército, marinha, aeronáutica, Polícia Federal, IBAMA, e por aí vai - aliás, Me causou gostoso espanto quando eu soube que o novo Diretor Regional dos Correios é um seridoense... De modo que quando um conterrâneo meu se destaca, vibro de felicidade. A banda Perfume de Gardênia deu total apoio nos arranjos dos participantes.

Meio-dia de hoje, na calçada do café São Luiz, depois de beber uns oito “cafezes” (só três foi com o “judeu” Manoel Moura), já ia arrumando o “cavalo” para voltar para casa, encontro Carlos Zens. Chegou apressado e suado, com seu luminoso sorriso me estendeu sua mão dizendo: “Vim correndo por que sabia que lhe encontraria aqui. Queria falar com você sobre o Festival de ontem. Cara, que massa! Eu me diverti demais. Aquele rapaz que cantou ‘Eu só quero um xodó’, de Dominguinhos, vestido com aquele chapéu de ‘Mazzaropi’ foi demais! Viu aquela garota que interpretou Zé Keti? Voz linda ela tem... e personalidade”. Tivemos de ir para um lugar mais sossegado. Várias pessoas apareceram para apertar sua mão. Eu sugeri: “Carlinhos, ande com uma placa, informando que, por cada aperto de mão você ganhará um real. Vai ficar rico”. Ele só faz rir das minhas bobas bobagens. Fomos ali para um cantinho da Rua Coronel Cascudo. Ele “atacou” no açaí do Pará e eu no mate com limão. Estava uma delícia. A chuva já cessou. O calor voltou. Trinta e danosse...

Eu conheço Carlos há uns vinte anos. Ainda do tempo que ele viajava em sua “cinquentinha” para tocar com Pedrinho Mendes. E a cada dia temos uma enorme simpatia um pelo outro. Mas..., espere aí! Carlos Zens é aquela pessoa que emana luz, paz, solidariedade. Um carisma. Quem não gostar de Carlos Zens não vai gostar de mais de ninguém neste mundo. Pense num artista – conhecido na Europa, França e Bahia – onde o estrelismo não tem vez... Sua cabeça é a mesminha de quando era menino sambundo no bairro das Rocas. Você ver Carlos na TV com Jô Soares, Rolando Boldrin, Lucinha Lira, Fátima Melo, e seja onde for ele é sempre o mesmo. Anda de ônibus, anda a pé... Vai aos suntuosos salões da elite e vai também visitar seu grupo de meninos e meninas carentes do proletário bairro de Felipe Camarão. Lá ele desenvolve, sob as bênçãos do patrocínio da Petrobras, um trabalho voluntário (sem ganhar um tostão para si) onde desenvolver a arte da música. Dali já saiu gente para a UFRN nas áreas de arquitetura, gestão empresarial, entre outras. E para aqueles que acreditam em Deus eu digo: Só Deus em que pode pagar, com justiça, o árduo trabalho desenvolvido por este rapaz de coração manso, cativante. Uma alma comprometida com o próximo. Com a qualidade de vida das próximas gerações. Com a cidadania do nosso país. Meu caro leitor você, nem em sonho, imagina como ele já foi tentado, por muitos natalenses, a largar o Projeto. O que já “cozinharam” no ouvido dele não é brincadeira... Para quem não conhece a Terra de Cascudo eu repito: Natal é a cidade onde um sujeito gasta mil para outro não ganhar cem... Mas, Carlos acredita no que faz. Chegando inclusive a sacrificar seu tempo no lar, ao lado de sua paciente Antonia, mas vai a luta para que aquelas crianças tenha um mundo melhor...

Depois fui levá-lo em sua casa. Cada vez que encontro Carlos Zens minhas “baterias” de solidariedade se renovam. É uma figura iluminada numa Natal tão carente de candeias... - (fcb/cp)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ELMO PINGNATARO


Professor Elmo foi meu colega de filatelia, e um amigo. Recebia-me em sua casa como se recebe uma autoridade. E quantas e quantas vezes eu o visitasse ele sempre fazia a mesma perguntando: “César, você ainda coleciona selos árabes? Recebi uma carta e vieram estes dentro. São do Egito, Sudão, Palestina, Jordânia, Iraque”. E eu saia com novidades para minha coleção.

Elmo amava os selos. Seu acervo era de encher os olhos de qualquer colecionador mais exigente. Tinha uma linda e rara coleção de ex-colônias inglesas de A a Z. Ou seja: de Aden a Zanzibar. Também as ex-colônias francesas, portuguesas, alemãs e espanholas. Também de vários países da Europa, incluindo Rússia período dos czares, Revolução, Governo Provisório, e depois União Soviética até o fim. Brasil completo, com todas as suas variedades, raridades denteações e cores com todas as suas nuanças e fosforescências, filigranas, tipos de papeis, sobretaxas, xilófagos. Possivelmente uma das mais interessantes coleções do Brasil. Elmo era o que se podia chamar, com muita propriedade, “O filatelista”.

Tinha inúmeros envelopes, de cartas a ele endereçadas, desde o fim da década de 1930. Muitos com carimbo da Suástica Nazista e uma tarja fechando o envelope com uma informação em alemão “Geöffnet” (aberta). Os britânicos também censuravam: “Examiner” (examinada) - normal em tempos de guerra. Foi o maior colecionador de selos do nosso Estado e um dos grandes no País. Também tinha cartas com selos de vários países que depois mudaram de nomes como, Daomé (atual Benin), Ceilão (Atual Sri Lanka), Birmânia (atual Myamar), entre outros.

Elmo era uma pessoa extremamente agradável. Aos sábados nos reuníamos em nosso Clube Filatélico, onde foi um dos fundadores, e levava alguns de seus álbuns (geralmente com alguns selos raros) para apreciarmos sua coleção. Ele dizia: “trouxe apenas para ‘arejar’ os selos”. Também levava duplicatas para distribuir com a meninada. Fazia isso como incentivo aos novos filatelistas. A garotada o rodeava e ele adorava testar os conhecimentos geográficos de cada um: “Só ganha selos se me disser qual o maior porto do Afeganistão”. Fazia de propósito, uma vez que o Afeganistão nem mar têm. Apontava um garoto e perguntava: “Você, que país é esse aqui? Sabe qual é a moeda de lá? Sabe onde fica”? Ou então: “O capitão James Cook fez cinco viagens ao Havaí. Morreu numa delas. Qual”? A meninada tensa... Riamos muito vendo o rosto pensativo dos garotos.

Os adultos, mesmos os colecionadores “avançados” também recebiam alguns envelope de papel “manteiga” com selos dentro. Ele sentava, olhava e saudava cada um. Identificávamos-nos por uma “referência” do que colecionávamos. Exemplo: “César, o ‘árabe’, aqui tem uns para você”. “Alciomar, ah, este gosta mesmo é de cavalos. Aqui tem esses, são seus”. Virava para outro lado e dizia: “Você é ‘russo’. aqui tem selos da Rússia pra você”. Sérgio, você é polonês. Aqui tem selos da Polônia. “Bom, este outro é ‘americano’. Lá vai”. E fazia isso com uma alegria, um prazer enorme. Mas antes de tudo isso havia o “ritual” dos óculos de grau: “Vou tirar os óculos pra enxergar melhor”! E levantava os óculos à testa.

Além de desfrutarmos de sua presença alegre e descontraída, Elmo nos proporcionava conhecimentos sobre antigos filatelistas: Monsenhor da Mata, Floriano Cavalcante, Dr. Aderbal de Figueiredo, Alberto Roseli, Dulce de Sá e tantos outros. Também confirmava, ou desmentia visita de pessoas ilustres que teriam passado por Natal.

No dia 3 de julho de 1991, em visita ao México, teve a delicadeza de me enviar uma “Tarjeta Postal”. Fiquei profundamente grato àquela sua iniciativa, uma vez que passeava com a esposa e tinha mais no que se envolver. O professor Elmo foi a pessoa mais educada (em toda a extensão da palavra), fina, reverente, fraterna e cortês que eu conheci. E era, acima de tudo, um educador. Tinha ares aristocráticos (frequentava as reuniões de Clube de bermuda, sandálias de couro e camisa de botão solta. Para mim ele parecia estar sempre vestido de fraki), mas, era simples e modesto. Pessoa de extremo bom gosto. Era uma figura amável. Falava baixo, mas com uma voz gutural, articulada. Eu jamais ouvi uma grosseria, um palavrão, uma indelicadeza, saindo de sua boca. Jamais ouvi falar mal de alguém. Mesmo contando uma estória, duvidosa, fazia com um agradável sorriso. Profissionalmente foi, durante anos, chefe do setor de câmbio do Banco do Brasil e professor da UFRN, ensinando história para alunos de economia. Para ele, todas as “mazelas” da história (guerra, revoluções, invasões) passavam pela economia.

Elmo Pingnataro (pronuncia-se Pinhataro) nasceu em Natal a 15 de junho de 1923. Casado com dona Lauria tiveram dois filhos – os médicos Francisco e Lauro. Foi aluno do tradicional Atheneu Norte-Rio-Grandense e formou-se em direito. Era filho de Francisco Pingnataro. Um homem que viveu no começo do século 20, em Natal, e que eu o descrevo como “o primeiro ecologista”, numa época em que a palavra ainda nem existia.  Foi ele, Francisco, quem plantou inúmeras árvores onde hoje fica o Conjunto Mirassol, Cidade Jardim e Capim Macio, bairro que tem uma de suas ruas com seu nome.

Elmo nos deixou em 6 de outubro de 1996, vitimado por um câncer na garganta por causa de seus excessos com cigarros. Seus últimos seis meses de vida foram longe dos amigos. Recomendação médica. Sobre ele escreveu o presidente do Clube Filatélico Potiguar Rosaldo Moreira de Aguiar: “Pessoa amiga e fraterna, será sempre lembrado; são pessoas desta índole, caráter, hombridade, companheirismo e amizade que se torna uma figura indelével no conceito da sociedade, dos amigos e os parentes. A filatelia Potiguar perdeu um grande incentivador”.

Pelo que representou em minha vida enviei a família o seguinte telegrama: “Família Pingnataro, foi com profundo pesar que recebi, ontem, a notícia da partida do meu amigo, e colega filatelista, Elmo Pingnataro. Recebam todos os meus sinceros sentimento de solidariedade. Fica entre nós a lembrança de um homem competente, educado, modesto, inteligente e de um grande senso de responsabilidade familiar e profissional. Quanto a nós, continuaremos nesta grande luta, em busca do equilíbrio”. - (fcb)